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En donde el nombre de vuelve recuerdo: uma ponte entre a memória e o esquecimento

Foto do escritor: Cine Coxipónes
Cine Coxipónes
há 5 horas
2 min de leitura

A memória histórica é um elemento fundamental na construção da identidade coletiva de uma cidade. Recordar sua cultura, seus eventos e seus habitantes permite reconhecer os vestígios que moldam sua história. Contudo, em diversos contextos latino-americanos, os processos de modernização urbana podem ser acompanhados por formas de apagamento da violência ocorrida no território. Em "Onde o Nome se Torna Memória", documentário equatoriano produzido e dirigido por Paula Espinoza, essa questão é abordada por meio dos feminicídios ocorridos em Cuenca, Equador, e dos esforços de diversas mulheres para preservar a memória de suas vítimas. O documentário constrói, assim, uma reflexão sobre a memória como forma de resistência contra o silenciamento e o esquecimento.

Uma das decisões discursivas mais significativas da obra é a de não mostrar os rostos das vítimas. Embora seus corpos permaneçam ausentes, seus nomes são constantemente recuperados, conferindo-lhes uma identidade que não depende da representação visual de seus corpos. Essa escolha desloca o olhar do espectador do corpo violado para a pessoa e sua memória, impedindo que a representação dos feminicídios dependa do impacto visual da morte. A ausência de rostos, portanto, não significa a ausência das vítimas, mas sim uma forma de tornar presente aquilo que o esquecimento tenta apagar.

Essa estratégia contrasta com a representação de Liz, uma mulher indígena e ativista feminista de Cuenca, cujo rosto aparece no documentário. Essa diferença introduz uma tensão na construção da representação: enquanto as vítimas são evocadas principalmente por seus nomes, Liz também é apresentada por sua fisicalidade e sua identidade racializada. Essa decisão permite a introdução de outra dimensão à questão, relacionada às formas como mulheres indígenas e racializadas são percebidas em espaços sociais permeados por ideais de branquitude e hegemonia. Assim, a memória da violência feminicida também se vincula a outras formas de exclusão e lutas por representação.

O som e o espaço urbano reforçam ainda mais essa construção discursiva. O uso de som surround e efeitos aquáticos estabelece uma conexão constante com o rio, um espaço que adquire uma dimensão simbólica dentro do documentário. O rio, tradicionalmente associado à inspiração e à representação poética das mulheres como “musas”, surge aqui ligado à memória daquelas mulheres que habitam suas águas. Em resposta a essa história, as mulheres que ocupam a ponte reivindicam seus nomes e transformam o espaço urbano em um lugar de memória e resistência.

Por fim, o uso de imagens e áudios de arquivo permite representar a violência sem recorrer ao espetáculo do sofrimento. O documentário não precisa mostrar corpos ou cenas explícitas de dor para comunicar a magnitude dos feminicídios. A ponte, então, funciona como uma fronteira simbólica entre uma cidade que busca se projetar rumo à modernidade e uma história que permanece inscrita em seu território. Ao recuperar os nomes das vítimas, o documentário questiona a possibilidade de construir uma cidade moderna ao custo do esquecimento daqueles que foram violentados dentro dela.


Por Akanke Samirah

 
 
 

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